O que é uma Igreja Evangélica

Publicado em 06/05/2010

A palavra “evangélico” ou “evangélica” é derivada de “evangelho”. Evangelho é uma palavra de origem grega que significa “boas notícias”. Refere-se às boas notícias da salvação em Cristo conforme anunciada nos evangelhos e nas cartas apostólicas. Assim, o significado primaz da palavra “evangélico” é “aquilo ou aquele que está de acordo com o ensinamento do evangelho de Cristo”, “que tem base ou fundamento nos evangelhos”. No dicionário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, evangélico se define como “relativo ao evangelho, ou conforme os seus ditames.”

Portanto, o que deve caracterizar uma igreja que se proclame evangélica é a sua concordância e coerência com os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos. É o compromisso com o ensino completo das Escrituras Sagradas que representa o fundamento da fé cristã evangélica.

Este amor pela Bíblia, este zelo por conhecer e examinar as Escrituras Sagradas, esta determinação de encontrar nelas todos os conceitos e valores de Deus para a vida prática são características do verdadeiro evangélico. Sim, este “andar com a Bíblia” é o andar do crente.

Deste modo, se Jesus diz que a Palavra de Deus é a verdade (João 17.17), que “a Escritura não pode falhar” (João 10.35), e “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão.” (Mateus 24.35), o evangélico crê na Bíblia como a palavra de Deus verbalmente inspirada, sendo a única regra de fé e prática infalível para o cristão.

Já que está escrito nos Evangelhos que há um só Deus (João 5.44), o evangélico crê que há um só Deus, criador e sustentador de tudo que existe.

Como está escrito nos Evangelhos que “Cristo é o verbo (ou palavra) de Deus”, que ele “estava com Deus” e “era Deus”, e que “todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (João 1.1-3 e 14), o evangélico crê que, embora Deus é único, Cristo e o Pai são um só Deus.

Também está nos evangelhos que Jesus mandou batizar os discípulos nas águas “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 29.19), que blasfemar contra o Espírito Santo é pecado mais grave (Mateus 12.32), que o Espírito Santo ensina e guia a toda verdade (João 16.13), que ele é o Espírito de Deus (Mateus 12.28) e que “o Senhor é o Espírito” (II Coríntios 3.17). Portanto, os evangélicos crêem que, embora seja um só, Deus é eternamente composto de três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, não sendo três deuses distintos, mas um Deus cuja natureza se revela triúna, sendo ele comunidade e amor em sua essência divina, contrário o todo egoísmo, mas entregue à comunhão, ao serviço e ao convívio em amor, pois “Deus é amor” (I João 4.8).

Se o Evangelho declara que Deus é Santo (João 17.11) e que ele quer que os cristãos sejam santos, como Ele é santo (I Pedro 1.16), a igreja evangélica deve ensinar que a busca da pureza e da santidade é a vontade de Deus, e que o pecado é ofensa contra Deus. E isto é fundamental, já que Cristo morreu pelos nossos pecados, sofrendo ele a morte em nosso lugar, para nos conduzir a Deus (I Pedro 2.24 e 3.18).

Se no Evangelho lemos que Jesus voltará (Lucas 12.40), mas que ninguém neste mundo pode saber o dia e a hora (Mateus 24.36 e 2 Pedro 3.10), uma igreja evangélica não profetiza, nem aceita a palavra de quem profetize ou marque este dia e hora.

Embora estes exemplos não esgotem a lista do que deve caracterizar uma igreja evangélica, é importante lembrar que a única maneira de examinar esta questão é à luz dos Evangelhos, em concordância com o ensino de toda a Bíblia.

A diversidade de igrejas e nomes de igrejas, embora possa confundir alguns, é uma conquista da liberdade de fé e consciência. Há vantagens e desvantagens nisso.

Saiu numa reportagem da Folha de São Paulo, em dezembro passado, uma crítica à facilidade de se abrir uma igreja e uma lista de nomes pra lá de esquisitos.

Embora não seja verdade tudo o que afirmaram, é mesmo um motivo de crítica e vergonha tantas aberrações e excessos. Entretanto, o preço de proibir a liberdade religiosa seria um preço muito maior. Seria repetir erros históricos execráveis. A idéia de se ter apenas uma igreja, com sua hierarquia, provou-se historicamente ineficaz e perigosa. Em vez de dar segurança produziu corrupção e cerceamento da liberdade.

Por isso, se um bando de malucos resolve adorar uma abóbora que consideram sagrada, o máximo que se pode fazer é impedir que comprometam a segurança e a ordem social.

Quanto ao mais, não se pode impedir o surgimento ou o crescimento de qualquer tipo de culto, porque esta liberdade de consciência e crença é garantida pela Constituição, e assim deve ser, ainda que isto possa nos desagradar às vezes.

Entretanto, no que diz respeito à fé cristã, para discernir o verdadeiro do falso, conhecer a Bíblia é fundamental. Leia a Bíblia livremente, sem preconceitos e pré-julgamentos. Leia com oração e com atenção, para que o seu coração seja cheio da alegria da salvação. E freqüente uma igreja que creia na Bíblia, que ensine a Bíblia, mas que, acima de tudo, pratique a Bíblia.

Este é um compromisso da IMUB.



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