O Inimigo do Novo

Publicado em 31/12/2010

A fragilidade e impotência dos votos de ano novo.

Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. (Romanos 6:4)

Numa virada de ano é comum fazermos avaliações do ano que passou e planos para o novo ano. Sonhos e esperanças são renovados e, como cristãos, fazemos bem em buscar a face de Deus na virada do ano, pedindo a sua bênção.

Entretanto muitos se frustram porque a novidade e as expectativas do novo ano logo se dissipam no meio de janeiro.

“Este ano vou orar mais, ler a Bíblia, fazer exercícios... não vou mais brigar com fulano nem usar palavras grosseiras, etc...” São bons propósitos de muitos filhos de Deus. Mas basta chegar a manhã do outro dia e as velhas coisas já retornaram... E muitos desistem e se acomodam logo por aí.

Isto acontece porque não é o ano novo que vai trazer coisas novas. A novidade de vida vem de Deus e nós precisamos aprender a andar nela.

Jesus não planejou para nós que desejássemos coisas novas numa passagem de ano. O que ele nos concedeu é muito superior a isto. É que vivamos em novidade de vida.

A novidade de vida começa quando nascemos de novo. É uma experiência ímpar. Só se pode nascer de Deus por meio de Jesus Cristo, recebendo-o como Senhor (João 1:12) mediante arrependimento e fé.

Esta vida nova que recebemos de Deus traz uma capacitação sobrenatural para vencermos o pecado e vivermos novos valores e hábitos. Entretanto, a capacitação que vem de Deus não nos isenta da disciplina necessária para substituirmos os hábitos pecaminosos ou improdutivos por novos hábitos, baseados nos princípios eternos de Deus.

É neste ponto que vamos experimentar a grande batalha, e vamos descobrir que o velho e o novo, neste caso, não é como uma passagem de ano, em que o velho vai embora e o novo começa simplesmente de um dia para o outro. Neste caso, o velho lutará contra o novo e só pode ser derrotado quando o novo toma o seu lugar.

Depois de recebermos um novo coração (Ezequiel 36.26), precisamos aprender a andar em novos caminhos. O novo coração anseia por estes novos caminhos, mais altos e santos (Isaías 55.9), mas a mente ainda está apegada aos velhos formatos de pensamento e a carne aos velhos pecados. É preciso, portanto, fazer morrer nossa natureza terrena (Colossenses 3.5), mortificar os feitos do corpo (Romanos 8.13), crucificar a carne com suas paixões e desejos desenfreados (Gálatas 5.24).

Foi isto que Jesus quis dizer quando desafiou seus seguidores: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. (Lucas 9:23)

Ninguém pode seguir a Jesus esperando que as coisas aconteçam automaticamente. É um trabalho de parceria. Deus já nos deu o poder, precisamos lançar mão dele e crucificar a carne (a vontade própria) para que ele viva em nós. Isto começa com um “negue-se a si mesmo”, e continua no “dia a dia” com um “tome a sua cruz”. Só então é possível segui-Lo.

Isto é ilustrado como uma troca de roupa. É o que está em Efésios (caps. 4 e 5) e Colossenses (cap. 3). Você recebeu nova vida. Era como um pedinte maltrapilho e bêbado incorrigível que, tendo se arrependido, foi adotado na família do Rei. Agora não pode mais andar com as velhas roupas, rotas e sujas. Precisa tirá-las e, tendo-se lavado, colocar roupas que combinam com a sua nova condição. Antes, por mais que quisesse emendar suas roupas elas não ficariam boas. Por mais que desejasse, nunca poderia vestir-se como um príncipe. Agora que pode, não deve mais andar como antes. Precisa honrar o Rei e a família a que pertence.

É descrito como “despojar-se” do velho homem (Efésios 4.22), renovar a maneira de pensar e “revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade” (Efésios 4.24 NVI).

A partir deste ponto em Efésios 4, Paulo passa a falar de velhos hábitos que precisam ser abandonados e novos hábitos que precisam ser estabelecidos. Diz que é preciso abandonar a mentira e isto só é possível falando a verdade. Que é preciso deixar de pecar quando ficamos irados e não tratamos da situação num relacionamento, deixando que a mágoa se estabeleça (e quantas pessoas têm o hábito de guardar ressentimentos...). Que é preciso deixar de falar palavrões e palavras desagradáveis, mas falar coisas edificantes. Que é preciso deixar a amargura, a ira, as gritarias e calúnias, sendo, em lugar disso, bondoso e compassivo, e perdoar. E ele continua até o capítulo 6 falando de hábitos velhos e tão comuns que precisam ser substituídos por um modo de pensar e viver dignos do Deus que nos amou e nos chamou, tendo pago um alto preço por isso. Só depois disso é que fala de lutarmos contra Satanás, pois, antes de amarrar a Satanás precisamos nos livrar das amarras do pecado que ele usa para dominar os homens.

Assim sendo, o novo que o Senhor nos dá depende da cruz. De morrermos para nossa vontade, direitos, conceitos, opiniões e razões. De morrermos para nossos desejos carnais e vergonhosos e, então, vivermos novos pensamentos, valores, costumes e comportamento.

Tendo crucificado a carne com suas paixões egoístas e desejos desequilibrados (Gálatas 5.24), não vivamos apenas um ano novo, mas uma vida nova a cada dia.

Feliz 2011 na força do SENHOR.



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