O que se deve esperar de um pastor (1ª parte)

Publicado em 10/06/2010

O trabalho pastoral deveria ser digno da confiança de todos, mas nem sempre o pode ser. Quem procura um médico o faz de boa fé e raramente questiona em que faculdade ele se formou. Pressupõe-se que, se ele tem um consultório ou atende em um hospital, deve ter uma formação digna. No entanto, não é raro aparecerem charlatões e enganadores que se fazem passar por médicos sem jamais ter se formado. Isto também acontece com advogados, dentistas, e outros profissionais.

Entretanto, o fato de existirem maus profissionais, ou falsários, não desqualifica os bons.

No caso dos pastores, por tratar-se de uma vocação e função religiosa, torna-se mais complexa a situação. Não pode existir um órgão de controle de “qualidade religiosa”. Seria contrário ao “princípio de liberdade de consciência e crença”. A idéia de se ter apenas uma igreja, com sua hierarquia, provou-se historicamente ineficaz e perigosa. Em vez de dar segurança produziu corrupção e cerceamento da liberdade.

Desmandos, discrepâncias e escândalos acontecem em todos os ramos sociais e religiosos. Impor uma autoridade que julgasse e aprovasse ou reprovasse pastores, que autorizasse ou impedisse a criação de novas igrejas ou associações religiosas seria uma arbitrariedade. O máximo que se pode desejar é que haja orientações e parâmetros para que o exercício da religiosidade não se torne em fanatismo que comprometa a segurança e a ordem social. O homem é religioso por natureza. Não se pode impedir a livre opção religiosa.

Já ouvi dizer de padeiros que cuspiam na massa do pão. Mas nem por isso deixei de comer pão. Já ouvi notícias de erros médicos, mas nem por isso deixei de me submeter a uma cirurgia necessária. Sei que um caso isolado não pode denegrir toda uma classe profissional que tanto se esforça para servir à sociedade. Assim também, não se deveria julgar todos os crentes ou pastores pelo mau exemplo de um ou outro. Neste caso se devia aplicar o mesmo que aos políticos. Um mau político não deveria receber votos novamente. Mas muitas vezes o eleitor se torna cúmplice de uma má administração por que vota sem consciência, sem exame, e, às vezes, por interesses pessoais, vendendo o voto em troca de benefícios imediatos.

Do mesmo modo – é vergonhoso, mas necessário dizê-lo – muitos maus pastores permanecem em suas funções sem dignidade nenhuma devido à cumplicidade de seus paroquianos. Muitos apoiam pastores que se comportam mal porque não examinam a Bíblia, não agem com consciência livre ou até mesmo porque os interesses e afeições pessoais são maiores do que os interesses pelo Reino de Deus. Outros são vítimas da manipulação de líderes mal intencionados porque temem ofender a Deus, sem saber que maior ofensa é permitir que a igreja seja difamada e desmoralizada pela atuação de um líder mal visto pela sociedade. Querendo evitar um escândalo menor, compactuam com um escândalo maior. Infelizmente nossa cultura ainda tem muito que aprender tanto no caso dos políticos como dos pastores.

Mas como julgar? Haverá uma forma de discernir o que se deve esperar de um pastor? Sim. Há duas formas: A Bíblia e o bom senso.

O bom senso se baseia na questão ética e lógica. Qualquer pessoa, por menos informada e ou culta que seja, espera de um líder de igreja um comportamento reto, autêntico e moralmente elevado, além de um conhecimento adequado à sua função. Espera-se que ele viva o que prega. Não se pode aceitar um pastor que se relacione maliciosamente com as jovens ou senhoras de sua igreja. Não se pode considerar correto um obreiro que compre e não pague, etc. A sociedade não estará errada em condenar estes comportamentos.

A Bíblia, por sua vez, estabelece normas claras para o caráter pastoral. Neste ponto é mais fácil, embora não tão simples, julgar o comportamento pastoral do que a atuação de um profissional médico ou contábil. Isto porque o povo comum não tem acesso às informações técnicas e éticas da medicina ou da contabilidade, mas pode examinar livremente a Bíblia, única regra de fé e prática dos cristãos. Na próxima semana veremos um pouco do que a Bíblia diz sobre o caráter e do comportamento de um pastor.

Ler a 2ª Parte



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